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Jesus nos Ensina a Acolher, Perdoar e a Amar Sempre! 

Dom Anuar Battisti

Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

 

Caros irmãos e irmãs, o 4º domingo da Quaresma fala sobre o amor incondicional e misericordioso de Deus por nós. Em meio aos desafios e tentações deste tempo de preparação, as Escrituras nos lembram da constante presença do Senhor em nossas vidas, oferecendo-nos redenção e salvação. 

No Evangelho de Lucas (Lc 15,1-3 e 11-32), encontramos a conhecida parábola do filho pródigo, na qual Jesus nos revela a infinita misericórdia do Pai celestial. O filho mais novo, ao desejar sua parte da herança e deixar a casa do pai, mergulha no pecado e na dissolução. No entanto, quando ele retorna arrependido, seu pai não apenas o acolhe de braços abertos, mas também celebra sua volta com alegria. 

Essa parábola nos ensina que, mesmo quando nos afastamos de Deus e nos perdemos em nossos próprios caminhos, Ele nunca desiste de nós. Sua misericórdia está sempre disponível para aqueles que se voltam para Ele com um coração contrito. Assim como o pai na parábola, Deus nos espera ansiosamente, disposto a perdoar e restaurar-nos em Sua graça. 

Além disso, na Epístola de Paulo aos Efésios (2, 4-10), somos lembrados de que fomos salvos pela graça, mediante a fé, e isso não vem de nós mesmos, mas é um dom de Deus. Nada que façamos pode merecer essa salvação; é puramente pela bondade e generosidade de Deus que somos resgatados e reconciliados com Ele. 

Portanto, neste tempo de Quaresma, somos convidados a refletir sobre a imensidão do amor de Deus por nós e a responder a esse amor com arrependimento e gratidão. Que possamos reconhecer nossas fraquezas e pecados, e nos voltar para o Pai que nos espera de braços abertos, pronto para nos receber de volta em Sua casa. 

A misericórdia do pai é transbordante, incondicional, e se manifesta ainda antes de o filho falar. Certo, o filho saber que errou e o reconhece: “Pequei… trata-me com um de teus empregados” (v. 19). Mas estas palavras se dissolvem diante do perdão do pai. O abraço e o beijo de seu papai os fazem entender que sempre foi considerado filho, apesar de tudo. É importante este ensinamento de Jesus: a nossa condição de filhos de Deus é fruto do amor do coração do Pai; não depende de nossos méritos ou de nossas ações, e, portanto, ninguém pode tirá-la, nem mesmo o diabo! Ninguém pode nos tirar esta dignidade. 

Esta palavra de Jesus nos encoraja a não desesperar jamais. Penso nas mães e nos pais apreensivos quando veem os filhos distanciando-se e tomando caminhos perigosos. Penso nos párocos e catequistas que, às vezes, se perguntam se o trabalho deles está sendo em vão. Mas penso também em quem está preso, e lhe parece que a sua vida tenha terminado; a muitos que fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro; a todos aqueles que tem fome de misericórdia e de perdão e creem não merecê-lo… em qualquer situação da vida, não deve esquecer que não deixarei jamais de ser filho de um Pai que me ama e espera o meu retorno. Mesmo na situação mais feia da vida, Deus me espera, Deus quer me abraçar, Deus me espera. 

Que o exemplo do filho pródigo nos inspire a buscar a misericórdia e o perdão de Deus, e que possamos experimentar a alegria da reconciliação com Ele. Que possamos também estender essa mesma misericórdia aos outros, seguindo o exemplo do Pai celestial que ama a todos os seus filhos. 

Que neste 4º domingo da Quaresma possamos renovar nosso compromisso com Deus e com o próximo, confiando na Sua graça e na Sua infinita misericórdia. Amém. 

 

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